Zé Rangel

Lidiane Passos
15 de novembro de 2017
Carolina Ribeiro
4 de janeiro de 2018

Zé Rangel

“E foi assim,
Levado pelas mãos de um anjo de longos cabelos negros e voz fugidia,
Que fui parar na casa da minha meninice.
Uma casa cercada de espinhos floridos,
Janelas e portas abertas,
Assoalhos flácidos,
Silêncios profundos.
Com delicadeza, o anjo afastou os espinhos e preservou as flores.
Entramos na casa, onde tudo era uma dança entre luz e sombra.
Com uma lente precisa, o anjo procurou o melhor ângulo.
E quando eu menos esperava, mergulhou em minha alma.
Nadou na vastidão das minhas recordações,
Retirou máscaras, abriu canais, despertou vozes.
Fale de você, o anjo dizia.
E quanto mais eu falava, mais me revelava, e quanto mais exposto e vulnerável, mais iluminava.
E finalmente, quando tudo virou luz, o anjo disparou,
Um click certeiro que guardou na eternidade o olhar do divino que em todos nós habita”
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